Resenha: O Atlas Esmeralda (John Stephens)

Título Original: The Emerald Atlas (The Books of Beginning #01)
Autor: John Stephens
Editora: Suma de Letras
Páginas: 295
Gênero: Infanto-juvenil
Classificação: 4/5

Sinopse: Há dez anos, numa noite de inverno, os irmãos Kate, Michael e Emma foram tirados de suas camas às pressas, perseguidos por criaturas estranhas e levados para longe de seus pais, os quais nunca mais viram. Desde então, os três passaram todo esse tempo vivendo em vários orfanatos sem saber o que de fato aconteceu naquela noite. Kate, a mais velha, é a única que tem lembranças dos pais, a quem jurou proteger seus irmãos a todo custo até que a família estivesse reunida novamente; Michael, o do meio, adora o mundo dos livros e histórias de magia e é sempre alvo de implicância dos garotos mais velhos; e Emma, a mais nova, é uma verdadeira encrenqueira, mas de grande coração. Quando chegam a uma mansão abandonada, os irmãos encontram um atlas encantado que os faz viajar no tempo e os leva para uma terra habitada por gigantes, anões, lobos famintos, crianças prisioneiras e uma condessa que é a fonte de todo o Mal. Assim, as crianças que apenas buscavam o paradeiro de seus pais acabam tendo que salvar o mundo.

Existem alguns livros que são mais especiais que os demais, que te fazem sentir coisas maravilhosas. E com o Atlas Esmeralda fez voltar uma Carol de 8 anos de idade, foi como se a cada página lida cada momento da minha infância voltasse.

A beleza desse livro já começa com uma bela capa e um trabalho impecável na diagramação. O trabalho com a capa mostra o que o leitor vai encontrar naquela estória, sem contar que ela tem um ar mágico e encantador.

O livro é um infanto-juvenil com muita magia e fantasia. Tem alguns elementos que lembram outros livros desse gênero, mas acho que o autor se inspirou bastante nas Crônicas de Nárnia, principalmente o fato de irmãos partirem para uma aventura que pode custar suas vidas.

No Atlas Esmeralda são três irmãos: Kate, a mais velha que é bastante responsável e tenta cumprir de qualquer jeito uma promessa que fez a sua mãe. Michael adora livros e é fã número um dos anões, em certa parte do livro ele pode ser comparado ao Edmundo nas Crônicas de Nárnia. Emma é a caçula, valente e não leva desaforo para casa, teve partes do livro que sua personalidade a tornava irritante e chatinha.

A narrativa desse livro é bem direta: crianças que por algum motivo tiveram que ser separada de seus pais, sempre vagando de orfanato para orfanato, nunca querendo ser adotada por nenhuma família, já que os irmãos acreditavam que seus pais voltariam um dia para buscá-los.

O livro começa a ficar realmente bom quando os irmãos vão parar em Cambridge Falls, um lugar sombrio, sem vida, onde não existe uma criança se querer, fazendo com que Kate, Michael e Emma sejam as únicas crianças naquele orfanato.

Como um bom livro de magia-fantasia, esses irmãos vão acabar se aventurando em uma viagem no tempo por causa de um antigo Atlas mágico. John consegue muito bem colocar diversos elementos na estória, nunca deixando o livro cair em algo monótono. Temos uma vilã para ninguém colocar defeito, a bela e também má Condessa, uma víbora em forma de uma delicada adolescente. Os gritões, criaturas que só de pensar me dão arrepios. Mas também temos criaturas que ficaram ao lado dos irmãos, como os anões e os gigantes, destacando Gabriel, um dos gigantes mais fofos que já tive o prazer de conhecer.

Esse não é um livro tão original assim, volta e meia você pode associar a estória a outro livro, mas essa é uma obra que deve ser lida, o autor consegue executar muito bem a função de alimentar nossa imaginação, nos fazendo entrar naquele mundo que ele criou, ter medo em certos momentos e torcer pelas personagens, pois é quase impossível não gostar dos irmãos e se emocionar com a mensagem de que a família é o mais importante.


Os Livros do Princípio é uma trilogia e o segundo livro, A Crônica do Fogo, já está à venda no site do Submarino e da Livraria Cultura. Não vejo a hora de sobrar uma grana e continuar essa aventura maravilhosa.

Resenha: O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias (Kelly Link)

Título Original: Magic For Beginners
Autores: Kelly Link
Editora: Leya
Páginas: 264
Gênero: Ficção; Contos
Classificação: 3/5

Sinopse: Um livro maravilhoso, que ultrapassa os limites da imaginação! Que tal encontrar um mundo inteiro numa bolsa? Ou jogar pôquer com parceiros, digamos, apocalípticos? O livro que você possui nas mãos nada mais é do que o fantástico e mágico mundo de Kelly Link, uma das autoras mais consagradas da atualidade. Considerado o melhor livro do ano, "O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias" permeia os limites da imaginação dos que se permitem ser transportados a um mundo fabuloso, cheio de estranhas criaturas, coelhos, jogos muito estranhos, fantasmas, zumbis, feiticeiras, amores e heróis. Deixe-se levar pelas encantadoras histórias deste livro. Afinal, quem precisa de realidade? "O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias" é a prova de que sonhar define o tamanho do poder da criação.

Esse foi um livro onde eu não sabia nada sobre a estória, mas a capa é tão linda e encantadora, que acabou me conquistando e me deixando bastante curiosa. Ganhei O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias do meu namorado e resolvi num dia chatinho descobrir o que tinha naquelas páginas.

Este é uma coleção de nove contos independentes que são extremamente criativos, mágicos e surrealistas. Em determinado momento da leitura eu não estava entendendo nada e fui resolver dar uma olhada nas resenhas desse livro no Skoob e vi que muitas outras pessoas sentiram o mesmo que eu nesse livro: estórias meio que nonsenses e sem pé nem cabeça. Não que isso seja algo ruim, tem muitas coisas que são nonsenses, mas que são maravilhosas.

O problema é que eu não estava preparada para esse tipo de livro surrealista. Quando se lê o título do livro em português se pensa em um livro que gira em torno de Zofia e seu mundo peculiar, algo que não acontece no livro; comentei anteriormente que são nove contos independentes. Talvez que optassem por uma tradução do título em inglês não houvesse essa pequena confusão.

Enfim, direi o que achei de cada conto.

O primeiro conto é A Bolsa Mágica, onde envolve a Zofia, que é avó da narradora, e dona da bolsa mágica. Nessa bolsa, aparentemente normal, existe um povoado inteiro. Existem três modos de abrir essa bolsa: um onde se vê apenas o interior da bolsa, um que é o portal para o povoado da extinta cidade de Baldeziwurlekistão (pretendo nunca mais escrever essa palavra na vida!) e o último modo que é o errado, esse que tem uma importância para o conto.

Esse conto tem um final em aberto, mas achei bem legal a personalidade da Zofia e o mundo que a Kelly criou.

O Hortlak conta a estória de Batu e Eric, que trabalham em uma loja chamada Noite-Inteira e como o nome supõem, nunca fecha. Os principais clientes são os zumbis que moram lá por perto. Esse já foi um conto mais confuso, pois envolvia uma garota zumbi que tomava conta de cães fantasmas, tinha os pijamas estranhos do Batu e o final foi muito estranho, como se a autora simplesmente esquecesse-se de terminar aquilo que começou.

O Canhão de longe é o mais chato do livro, também de ser o mais curto. Não é muito parecido com um conto, mas sim diversos diálogos sobre a importância do Canhão, esta que já foi casada e que agora lança as pessoas. Muito estranho e nonsense.

O quarto conto é o Animais de Pedra, o quão eu não entendi quase nada. Uma família se muda para uma nova casa e esta acaba ficando repleta de coelhos, também com o decorrer dos dias a mãe as crianças acabam achando que algumas coisas estão ficando assombradas. Acho que vou precisar de 200 anos para tentar explicar o que foi o final desse conto, sério.

Pele de Gato foi o primeiro conto que eu realmente gostei. Esse conto fala que bruxas não podem dar luz a crianças, mas sim para casas. Por isso, as bruxas, acabam roubando bebês e os criando. Uma coisa interessante nesse conto é que as formigas que são as donas do tempo e que gatos não existem, na verdade eles são outra coisa. O fim desse conto me deixou um pouco melancólica.

Plano de Contingência Contra Zumbis conta sobre o misterioso Sabonete, na verdade esse não é seu nome. Ele foi preso e acabou ficando meio viciado em zumbis e icebergs. Sabonete entra de bicão em uma festa e acaba contando para uma menina seus pensamentos malucos, sua vida e o motivo dele ter ido para a cadeia. O conto seria bem normalzinho se não fosse pela última atitude do Sabonete.

O Grande Divórcio fala sobre humanos que decidiram casar com pessoas mortas e depois decidem se separar. Não gostei muito desse conto, mesmo que a Kelly tenha ido para um lado mais poético, o fato do cara ter 3 filhos com uma morta foi algo que me fez pensar em necrofilia. Não foi legal.

O penúltimo conto Magia para Iniciante foi o que eu mais gostei. Nele um grupo de adolescentes apaixonados por um seriado de TV chamado “A Biblioteca”, o curioso é que essa série não tem canal e nem horário determinado, sem contar que nunca é exibido na sequência cronológica. O legal que é vida de um desses adolescentes e da Raposa, protagonista da série, acabam se misturando e situações estranhas começam a acontecer.

E o livro termina com Calmaria, que ao contrário não é nada calmo. Esse é o conto mais confuso: tem uma casa assombrada, amigos de muito tempo, clonagem, o próprio Diabo em uma festa, a vida que começa com a morte e termina no parto e um disk sexo que conta qualquer tipo de estória que você quiser.

A resenha ficou grandinha, me desculpem, mas esse livro me causou tantos sentimentos que não teria razão se eu fizesse um textinho pequeno. Enfim, não se levem pela capa, esse livro é um compilado de estórias surrealistas de uma das escritoras mais criativas que já vi. 


Resenha: Sangue Quente (Isaac Marion)

Título Original: Warm Bodies
Autores: Isaac Marion
Editora: Leya
 
Páginas: 256
Gênero: Ficção; Zumbis ♥
Classificação: 4/5

Sinopse: R é um jovem vivendo uma crise existencial - ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a "vida" de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa. 

Sangue Quente foi um daqueles livros que eu criei uma enorme expectativa. Não me recordo exatamente o que me fez querer tanto esse livro, mas fiquei mais de cinco meses querendo esse livro e quando finalmente consegui comprar e finalmente li essa estória devo admitir que não me arrependi.

R é um zumbi, mas ele é um pouco diferente dos outros milhares. Ele quer entender como aquele apocalipse zumbi surgiu e o que leva os zumbis comerem outras pessoas daquele jeito horrível. R também tenta relembrar sua vida antes da morte, quem era ele, o que fazia, qual era seu nome e por que ele só consegue lembrar-se da letra R.

Mas a situação muda quando R e um grupo de zumbis saem para a caça: achar humanos, comer o máximo possível e levar os restos para aqueles que não podem mais sair (crianças, mulheres, idosos).

Eles acabam atacando um grupo de jovens e o R pega como alimento o jovem Perry, o líder juvenil. Como R está sempre se questionando e pensando sobre sua nova fome, ele opta por comer também o cérebro da sua vítima, pois assim ela não voltará como zumbi e também por outro motivo, esse o qual eu já desconfiava: zumbis comem os cérebros das vítimas para poderem reviver as lembranças daquelas pessoas.

Achei isso genial. Sempre achei que zumbis eram mais do que pessoas que voltaram dos mortos, que ficam andando lentamente de um lado para o outro, fazendo barulhos estranhos e querendo comer pessoas.

Eles querem comer pessoas, mas eles também querem relembrar o que é ser humano. Sei que reclamos muito, porque vivemos num mundo de merda, mas se imagine não se lembrar de nada: amor, alegria, seu nome, sua família, o que é ler um bom livro ou dar uma risada.

O Isaac retratou um mundo zumbi o qual eu sempre imaginei, algo mais poético e menos só sangue e tiros na cabeça.

Ler esse livro foi uma experiência ótima, pois o autor conseguiu criar um protagonista único. Além de ser um zumbi, R é alguém que ainda quer mudar, independente do que tenha acontecido com sua pessoa. Claro que alguns momentos eu ficava um pouco confusa, pois R refletia e entrava mais em conflito do que um senhor de 80 anos, isso realmente foi estranho para um zumbi, mas ele também era superprotetor, sabia fazer umas gracinhas quando era a hora certa, colecionava muito coisa legal e era fã de música, seus LPs foram uma surpresa agradável.

Sobre o romance improvável entre zumbi e humana eu fiquei meio que indiferente. Não estava torcendo para Julie e R, mesmo a personagem sendo forte e legal, eu estava tão conectada com o R que eu só queria que ele se desse bem, independente do que acontecesse no livro.

Achei o final agradável, pois nem sempre acho que devemos ter tudo mastigado. Ler não é alimentar a imaginação? Gosto de quando eu posso escolher o final para determinada estória e foi isso que fiz, mesmo sabendo que o Isaac vai fazer uma continuação.

Eu indico esse livro para pessoas que gostam de zumbis e que abracem a ideia de novas versões para criaturas que já existem. Se teve gente que gostou de vampiros que brilham por que não um zumbi que pensa?

Agora sobre a parte “estética”, agradeço a Leya por não tentar fazer uma capa nova para o livro, já que o mesmo ganhou uma versão cinematográfica, na qual eu tenho que assistir.