Resenha: O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini)

Título Original: The Kite Runner
Autores: Khaled Hosseini
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 365
Gênero: Romance
Classificação: 4/5

Sinopse: O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado. 


O livro conta a estória de um país pouco conhecido, mas de um tempo para cá bem comentado e discutido: O Afeganistão. O início do livro se passa na década de 70, onde uma das maiores características é a divisão entre classes sociais.

De um lado existe o menino Amir, mimado, egoísta que demonstra no decorrer do livro ter muita raiva, requer de muita atenção, principalmente a do pai. Já na classe dominada temos Hasson, filho de Ali, empregado da família de Amir. Os dois são descriminados pela sociedade por serem hazares, porém são bondosos, fieis e sinceros.

Mesmo com essas diferenças, os dois meninos cresceram juntos, tinham a mesma idade e algumas paixões em comum, uma delas sendo a pipa. E foi em um campeonato de Pipas, este que foi vencido por Amir, Hasson demonstra a sua amizade e lealdade ao correr atrás da pipa que o amigo cortou. Percebendo que o filho do criado demorava a voltar, Amir foi atrás do amigo e quando o encontra percebe que o pequeno hazare está em um beco sem saída, sendo violentado sexualmente por um grupo de princípios neonazistas. É nesse momento em que Amir se mostra um covarde, ficando quieto e deixando que aquela violência continuasse.

“Abri a boca e quase disse algo. Quase. O resto da minha vida poderia ter sido diferente se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora. Mas, não disse. Só fiquei olhando. Paralisado”

E após esse infeliz momento, Amir desencadeia mais mentiras, mostrando o quanto era covarde e fraco. Nesse momento eu já estava entregue as lágrimas, pois não conseguia acreditar em tamanha injustiça. Ainda não sabia que tinha coisa pior me esperando.

Reviravoltas acontecem e muito tempo depois, já casado e mais velho, Amir recebe uma ligação que pode fazer a vida dele mudar completamente. O garoto egoísta e covarde pode virar um homem certo e, talvez no fundo, um herói.

Além de ter me arrancado várias lágrimas e soluços, esse romance de Khaled além de mostrar a verdadeira cultura do Afeganistão, retrata de uma forma verdadeira e até cruel o valor de uma amizade sincera, nos fazendo refletir sobre vários aspectos em nossas vidas.

Foram 365 páginas que me deixaram com um misto de sentimentos, algumas horas sentia raiva, angústia, passando por sorrisos e lágrimas nos olhos. O autor criou um dinamismo muito bom ao criar um protagonista covarde, inseguro e cheio de defeitos, enquanto o seu amigo era bondoso, honrado e sábio.

O Caçador de Pipas para mim é um clássico que deve ser lido pelo maior número de pessoas possíveis, pois ele me marcou de um modo muito forte, virando uma das minhas obras favoritas. 

Resenha: Um Dia (David Nicholls)

Título Original: One Day
Autores: David Nicholls
Editora: Intríseca
Páginas: 410
Gênero: Romance
Classificação: 3/5

Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

A resenha de Um Dia é uma das que eu mais demorei a fazer, talvez minha dificuldade seja porque esse livro mexeu comigo de um modo estranho. No final da leitura fiquei me perguntando se afinal das contas eu tinha gostado ou não de Um Dia.

Esse livro conta a estória de Emma e Dexter, duas pessoas totalmente diferentes: ela é intelectual, quer transformar o mundo ao seu redor com as palavras e não sabe o quanto é linda, mas também é chata, pois se acha alternativa demais e superior aos outros, pois é muito inteligente. O outro já é bonito, rico e só pensa em festas e mulheres, sabe o quanto é galanteador que chega a ser um pouco arrogante.   

Os capítulos mostram como segue a vida de nossos protagonistas, a busca pelos seus ideais, sorrindo, chorando, se decepcionando e também nos fazem sentir raiva com suas atitudes imaturas. Mas algo que é muito legal nesse livro é que as personagens são muito reais e humanos, ninguém é totalmente bom ou mau.  

David consegue ao mesmo tempo construir uma narrativa simples e magnífica, a estrutura do livro é ótima, mas algo que me irritou um pouco foi narrar a vida de Emma e Dexter sempre no dia 15 de Julho, acabei ficando perdida em alguns momentos da narrativa, porque de um capítulo para a outro muita coisa mudava, os protagonistas já estavam em outros trabalhos, endereços e namorados.

Mas achei o romance maduro e real, com uma narrativa em terceira pessoa recheada de ironias e momentos que nos faz pensar o que aconteceria se Em ou Dex tivessem feito de outro modo, ou o que nós faríamos se aquela determinada situação acontecesse conosco.

O final me deixou bastante triste, pois não esperava de depois de tantos anos o autor optaria por terminar a estória de amizade e amor de Dexter e Emma daquela forma, foi algo tão triste, mas também real.

Não sei ainda dizer se odiei ou amei o livro, apenas consigo dizer que o senhor David Nicholls me fez refletir, rir e detestar em vários momentos nossos protagonistas.

Indico esse livro para todos que querem ler algo maduro, verdadeiro e bonito.

Resenha: Anna e o Beijo Francês (Stephanie Perkins)

Título Original: Anna and the French Kiss
Autores: Stephanie Perkins
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Gênero: Romance, YA
Classificação: 4/5

Sinopse: Anna Oliphant tem grandes planos para seu último ano em Atlanta: sair com sua melhor amiga, Bridgette, e flertar com seus colegas no Midtown Royal 14 multiplex. Então ela não fica muito feliz quando o pai a envia para um internato em Paris. No entanto, as coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um lindo garoto -que tem namorada.Ele e Anna a se tornam amigos mais próximos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Anna vai conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer? 

Quem acompanha o blog e já leu alguma resenha minha sabe que não sou grande fã desses livros em que a estória gira em torno de uma garota que se muda de estado ou país e acaba se apaixonando pelo menino mais lindo e popular do colégio. Por esse motivo não esperava muito de Anna e o Beijo Francês. E nunca fiquei tão feliz por estar errada!

Esse foi um daqueles livros que enquanto eu lia um sorriso surgia no meu rosto, automaticamente. O enredo não é grande coisa: Anna é mandada pelo seu pai escritor e famoso (que eu acho que é o Nicholas Sparks) para um colégio interno em Paris. Para alguns, isso poderia ser um sonho, mas não para a Anna e eu consigo compreender isso, porque ela tem uma vida nos EUA, amigos, família, um quase namorado e se mudar para outro país, mesmo sendo a França, sozinha é um pouco desesperador.

A escrita da Stephanie é algo que deve ser destacado. Talvez se esse livro fosse escrito por outro escritor poderia ter sido só mais um livro YA, mas a Perkins conseguiu escrever um livro normal, mas não menos romântico, divertido e maravilhoso!

As personagens construídas são muito bem estruturadas, mostrando sua personalidade logo de cara e com o decorrer das páginas vamos conhecendo, junto com a Anna, quem é Mer, Josh, Rashimi e St. Claire... Ah, St. Claire! Esse merece um parágrafo exclusivo!

Não tenho muitas quedas literárias, mas Étienne conseguiu entrar nessa lista. Nascido nos Estados Unidos, filho de pai francês com uma mãe norte-americana, ele cresceu em Londres e estuda na França. Ele é simplesmente o típico garoto que toda menina desejam: charmoso, bonito, engraçado, companheiro e fofo, mas também passa longe de ser um príncipe encantado perfeito, algo que o torna mais real e lindo. Não consigo contar nos dedos quantas vezes eu suspirei por causa de St. Claire.

A transição de Anna em Paris é uma estória de amadurecimento e autoconhecimento. É quase impossível não se identificar com algo que acontece nesse livro: como o mundo dos adolescentes é cruel, as fofocas, ser abandonado pelos velhos amigos, relacionamento com os pais, manter amizades à distância, romances que não deveriam acontecer.

A única coisa que tenho que reclamar é sobre a diagramação, onde diálogos são misturados com pensamentos e o travessão fica perdido no meio dessa confusão, algo que incomoda na hora da leitura.

Anna e o Beijo Francês foi um daqueles livros que me conquistou de um modo que não consigo descrever, posso ficar páginas e páginas escrevendo sobre esse livro e ainda não vou conseguir descrever tudo o que eu senti. Stephanie Perkins se mostrou uma ótima escritora e não vejo a hora de ler mais livros dela.