Resenha: Um Dia (David Nicholls)

Título Original: One Day
Autores: David Nicholls
Editora: Intríseca
Páginas: 410
Gênero: Romance
Classificação: 3/5

Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

A resenha de Um Dia é uma das que eu mais demorei a fazer, talvez minha dificuldade seja porque esse livro mexeu comigo de um modo estranho. No final da leitura fiquei me perguntando se afinal das contas eu tinha gostado ou não de Um Dia.

Esse livro conta a estória de Emma e Dexter, duas pessoas totalmente diferentes: ela é intelectual, quer transformar o mundo ao seu redor com as palavras e não sabe o quanto é linda, mas também é chata, pois se acha alternativa demais e superior aos outros, pois é muito inteligente. O outro já é bonito, rico e só pensa em festas e mulheres, sabe o quanto é galanteador que chega a ser um pouco arrogante.   

Os capítulos mostram como segue a vida de nossos protagonistas, a busca pelos seus ideais, sorrindo, chorando, se decepcionando e também nos fazem sentir raiva com suas atitudes imaturas. Mas algo que é muito legal nesse livro é que as personagens são muito reais e humanos, ninguém é totalmente bom ou mau.  

David consegue ao mesmo tempo construir uma narrativa simples e magnífica, a estrutura do livro é ótima, mas algo que me irritou um pouco foi narrar a vida de Emma e Dexter sempre no dia 15 de Julho, acabei ficando perdida em alguns momentos da narrativa, porque de um capítulo para a outro muita coisa mudava, os protagonistas já estavam em outros trabalhos, endereços e namorados.

Mas achei o romance maduro e real, com uma narrativa em terceira pessoa recheada de ironias e momentos que nos faz pensar o que aconteceria se Em ou Dex tivessem feito de outro modo, ou o que nós faríamos se aquela determinada situação acontecesse conosco.

O final me deixou bastante triste, pois não esperava de depois de tantos anos o autor optaria por terminar a estória de amizade e amor de Dexter e Emma daquela forma, foi algo tão triste, mas também real.

Não sei ainda dizer se odiei ou amei o livro, apenas consigo dizer que o senhor David Nicholls me fez refletir, rir e detestar em vários momentos nossos protagonistas.

Indico esse livro para todos que querem ler algo maduro, verdadeiro e bonito.

Resenha: Anna e o Beijo Francês (Stephanie Perkins)

Título Original: Anna and the French Kiss
Autores: Stephanie Perkins
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Gênero: Romance, YA
Classificação: 4/5

Sinopse: Anna Oliphant tem grandes planos para seu último ano em Atlanta: sair com sua melhor amiga, Bridgette, e flertar com seus colegas no Midtown Royal 14 multiplex. Então ela não fica muito feliz quando o pai a envia para um internato em Paris. No entanto, as coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um lindo garoto -que tem namorada.Ele e Anna a se tornam amigos mais próximos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Anna vai conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer? 

Quem acompanha o blog e já leu alguma resenha minha sabe que não sou grande fã desses livros em que a estória gira em torno de uma garota que se muda de estado ou país e acaba se apaixonando pelo menino mais lindo e popular do colégio. Por esse motivo não esperava muito de Anna e o Beijo Francês. E nunca fiquei tão feliz por estar errada!

Esse foi um daqueles livros que enquanto eu lia um sorriso surgia no meu rosto, automaticamente. O enredo não é grande coisa: Anna é mandada pelo seu pai escritor e famoso (que eu acho que é o Nicholas Sparks) para um colégio interno em Paris. Para alguns, isso poderia ser um sonho, mas não para a Anna e eu consigo compreender isso, porque ela tem uma vida nos EUA, amigos, família, um quase namorado e se mudar para outro país, mesmo sendo a França, sozinha é um pouco desesperador.

A escrita da Stephanie é algo que deve ser destacado. Talvez se esse livro fosse escrito por outro escritor poderia ter sido só mais um livro YA, mas a Perkins conseguiu escrever um livro normal, mas não menos romântico, divertido e maravilhoso!

As personagens construídas são muito bem estruturadas, mostrando sua personalidade logo de cara e com o decorrer das páginas vamos conhecendo, junto com a Anna, quem é Mer, Josh, Rashimi e St. Claire... Ah, St. Claire! Esse merece um parágrafo exclusivo!

Não tenho muitas quedas literárias, mas Étienne conseguiu entrar nessa lista. Nascido nos Estados Unidos, filho de pai francês com uma mãe norte-americana, ele cresceu em Londres e estuda na França. Ele é simplesmente o típico garoto que toda menina desejam: charmoso, bonito, engraçado, companheiro e fofo, mas também passa longe de ser um príncipe encantado perfeito, algo que o torna mais real e lindo. Não consigo contar nos dedos quantas vezes eu suspirei por causa de St. Claire.

A transição de Anna em Paris é uma estória de amadurecimento e autoconhecimento. É quase impossível não se identificar com algo que acontece nesse livro: como o mundo dos adolescentes é cruel, as fofocas, ser abandonado pelos velhos amigos, relacionamento com os pais, manter amizades à distância, romances que não deveriam acontecer.

A única coisa que tenho que reclamar é sobre a diagramação, onde diálogos são misturados com pensamentos e o travessão fica perdido no meio dessa confusão, algo que incomoda na hora da leitura.

Anna e o Beijo Francês foi um daqueles livros que me conquistou de um modo que não consigo descrever, posso ficar páginas e páginas escrevendo sobre esse livro e ainda não vou conseguir descrever tudo o que eu senti. Stephanie Perkins se mostrou uma ótima escritora e não vejo a hora de ler mais livros dela.

Resenha: O Azarão (Markus Suzak)

Título Original: The Underdog
Autores: Markus Suzak
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 176
Gênero: Romance
Classificação: 2/5


Sinopse: Antes de tornar-se mundialmente conhecido, Markus Zusak escreveu uma trilogia de sucesso que somente agora está sendo publicada no Brasil. O primeiro título chama-se O Azarão. Fãs de A menina que roubava livros não podem deixar de ler os romances que inciaram a carreira estelar desse autor. Narrado em primeira pessoa, o livro apresenta a história de Cameron Wolfe, um garoto de 15 anos, perdido na vida e que vive às turras com a família. Trabalha com o pai encanador e sua mãe está sempre brigando com os filhos, na pequena casa onde todos moram juntos. Steve é o mais velho e mais bem-sucedido. Sarah é a segunda, e está sempre dando uns amassos com o namorado. Rube é o terceiro e o mais próximo de Cameron. Os dois, além de boxeadores amadores, vivem armando esquemas para roubar lojas e outros locais do tipo. Contudo, os planos nunca saem do papel. Uma história sobre a vida e sobre as lições que dela podem ser tiradas. Um romance de formação que exibe um jovem incorrigível, infeliz consigo mesmo e com sua vida. - "Tento ser humano em minha escrita. Comecei a escrever porque era o caminho natural. Durante o ensino médio eu era muito introvertido. Sempre tinha histórias na cabeça. Então comecei a escrevê-las." - Markus Zusak


Não diferente de outras pessoas, conheci a escrita de Markus Zusak por causa do livro A Menina que Roubava Livros, obra que admito que não é fácil, mas é recheada de emoções e mensagens que levarei para sempre. Depois de um romance tão carregado e triste, quis ler outros livros do autor e foi ai que escolhi O Azarão.

Esse foi o primeiro romance de Suzak, sendo também o primeiro livro da trilogia Irmãos Wolfe. Esse primeiro livro traz uma escrita leve e básica, sem nenhuma firula e palavras complicadas, dando a entender que o autor é muito intelectual, Markus com a simplicidade quer passar o cotidiano e os sentimentos de Cameron, um menino de 15 anos que convive com os temidos problemas da adolescência: primeiro amor, família, amigos que se afastam e outras coisas.

Não criei muitas expectativas com esse livro, na verdade não sabia muito que poderia vir pela frente, mas admito que passei boa parte do livro o achando “chato”. A estória de Cameron era interessante, mas eu simplesmente não conseguia me empolgar com a leitura. Houve uma conexão, pois como Cam eu achava minha vida um saco aos 15 anos, mas simplesmente algo não funcionou entre o livro e eu.

Quando comecei a me empolgar, o livro já estava em seu último capítulo. Não vejo pontos negativos nesse romance de estreia de Markus, mas ele simplesmente não me conquistou tanto assim.

Pretendo ler os outros dois livros quando eles forem lançados aqui no Brasil e mesmo tendo dado duas estrelas ao livro, o recomendo para todos, pois a escrita e a forma que Markus Zusak conta e conduz uma estória é incrível.